Principais conclusões
- Um catamarã à vela é feito de dois cascos ligados por um convés largo, o que oferece espaço e estabilidade que um barco de casco único do mesmo comprimento não consegue dar.
- As redes de trampolim esticadas entre as proas são onde a maioria das pessoas acaba: suspensas sobre água em movimento, a sol pleno, sem nada por baixo além do mar.
- A utilização das espreguiçadeiras está incluída e é atribuída por ordem de chegada, o que, na prática, recompensa quem embarca cedo, em vez de quem chega à hora marcada.
- Um barco onde toda a gente quer nadar ao mesmo tempo precisa de mais do que uma entrada. Três escadas separadas fazem a diferença entre uma fila e nenhuma fila.
Porquê um catamarã e não um barco de casco único
A diferença não é estética. Um monocasco carrega o seu volume num corpo único e profundo e balança em torno de um só eixo, o que torna um pequeno barco fundeado ao sabor da ondulação tão cansativo. Um catamarã distribui a flutuabilidade por dois cascos bem afastados, e resistir ao balanço é exatamente o que essa geometria faz.
Num passeio de um dia que passa horas fundeado em baías abertas, essa estabilidade é o argumento principal. Pessoas que riscaram passeios de barco depois de uma tarde desconfortável num convés a balançar estão, normalmente, a descrever um monocasco, e ficam muitas vezes surpreendidas com a estabilidade de um catamarã a fazer o mesmo trabalho.
A segunda consequência é a área do convés. A ponte entre os dois cascos dá uma plataforma larga, plana e praticamente livre de obstáculos, razão pela qual um catamarã de um determinado comprimento leva muito mais pessoas confortavelmente do que um barco convencional do mesmo tamanho.
As redes, que ninguém espera gostar tanto quanto gosta.
Entre os dois cascos, à frente do convés, um catamará tem rede de trampolim. Estruturalmente, serve para poupar peso e deixar as ondas passar em vez de embaterem numa superfície sólida. Na prática, é o lugar mais popular do barco.
Estar deitado numa rede suspensa a cerca de um metro de água em movimento é um prazer específico, difícil de explicar e imediatamente óbvio depois de o experimentarmos. Sente-se o mar através da malha, o spray sobe por ela à vela, e olhamos diretamente para a água, em vez de a vermos da amurada.
É também a parte do barco que enche primeiro. Se veio pelas redes, suba a bordo cedo e vá para a frente, porque elas não ficam vazias muito tempo depois de as pessoas perceberem o que são.
Rede de trampolim entre as proas, com a água em movimento por baixo
Espreguiçadeiras, sombra e onde sentar
O uso das espreguiçadeiras faz parte do passeio, atribuído por ordem de chegada. Não há reservas nem tal é prometido, por isso o conselho prático é simplesmente chegar com antecedência em vez de em cima da hora.
A consideração mais importante é a sombra, da qual há muito pouca. Um catamarã a vela é um barco aberto, e um dia de seis horas em águas maltesas no verão é uma quantidade séria de sol. As áreas cobertas que existem são pequenas e concorridas, e não são um plano.
O plano é chapéu, óculos de sol e protetor solar reaplicado, tudo o que deve trazer. Este é o conselho prático mais comum nos relatos de viajantes sobre dias como este, e é aborrecido precisamente porque está certo.
O bar e o convés
Há um bar a bordo. As bebidas não estão incluídas na viagem e são compradas aí. Não é permitido levar comida e bebida de fora, o que é o funcionamento padrão num barco com o seu próprio bar e cozinha, e isso é indicado nas condições com antecedência.
O convés é onde o dia acontece: música a tocar, pessoas a circular entre a sombra e o sol, a tripulação a trabalhar no meio de todos. É vendido como um barco animado e o convés é onde essa caraterística se nota.
Não há paragem em terra em nenhum momento do passeio, por isso o convés é também o único sítio onde vai estar o dia todo, além da água. Seis horas é tempo suficiente para isso importar, e é por isso que a quantidade de espaço utilizável num catamarã vale tanto como qualquer coisa no itinerário.
2 cascos
Dois cascos bem afastados são o que impede o barco de balançar na âncora, por isso um catamarã mantém-se estável numa baía onde um barco de casco único não conseguiria.
Entrar e sair da água
Três escadas separadas é um pormenor que parece trivial numa lista de inclusões e acaba por moldar o dia. Em cada paragem para nadar, uma grande parte do barco quer estar na água cerca de noventa segundos depois de o motor parar, e o fator limitante são sempre as escadas.
Com uma escada, forma-se uma fila organizada num convés quente. Com três, as pessoas simplesmente entram. Também importa mais a sair do que a entrar, porque subir uma escada molhada com ondulação é mais lento do que saltar.
A tripulação controla a água em todas as paragens, que é a outra metade da questão. Num barco com um grupo completo de nadadores em mar aberto, ter pessoas cujo trabalho é vigiar o mar em vez de servir ao balcão não é coisa pouca.
À vela e a motor
É um catamarã a vela e, num dia com vento utilizável, navega-se pelo menos parte do percurso à vela. Isso muda completamente o barco: mais silencioso, com um ligeiro adernar, a mover-se com a água em vez de a atravessar, e consideravelmente melhor de se andar.
Num dia de calmaria, ou quando o horário o exige, os motores fazem o trabalho. Ninguém deve reservar um passeio destes a esperar uma aula de vela: as velas fazem parte da experiência quando as condições o permitem, e não são o objetivo do dia.
O que está garantido é a plataforma. Seja à vela ou a motor, o que se tem durante seis horas é um convés largo e estável, três formas de entrar no mar e uma tripulação que passa a época a fazer exatamente isto.
